29 de jan. de 2014

UMA ESQUINA, UM CONTO
ZÉ E O SACRÁRIO
 
 

 
 
Certa vez, o sacristão de uma igreja notou que todo dia, sempre no mesmo horário, um homem de vestes humildes, de aparência pobre entrava na igreja, se aproximava do sacrário, dizia algumas palavras e ia embora. Tal situação se repetiu por dias e dias. O sacristão, além da curiosidade, passou a se preocupar com aquilo, já que no altar da igreja e no sacrário haviam peças de valor. Então, perguntou ao homem o que ele vinha fazer na igreja. Eis que o homem lhe respondeu: venho orar! E o sacristão retrucou:
 - É estranho que você consiga orar tão depressa!
- Sou homem de pouco estudo! Eu não venho recitar orações cumpridas, mas gosto de entrar aqui todo dia e dizer: oi Jesus, é o Zé, vim visitar o Senhor. E num minuto já estou de saída. É uma oraçãozinha! Mas tenho certeza que Ele me ouve.
Dias depois, Zé sofreu um acidente e precisou ficar internado. Logo, passou a exercer uma grande influência sobre todos da enfermaria, os doentes mais tristes ficaram alegres, apresentavam melhoras expressivas. Uma enfermeira notou que naquele horário, todos os dias, aquela situação se repetia, a alegria tomava conta do local e começou a se perguntar por quê.
- Por que o senhor está sempre tão alegre?
E Zé explicou:
- É por causa daquela visita que recebo todo dia!
A mulher ficou atônita. Ora! Havia uma cadeira ao lado da cama do Zé, mas sempre vazia. Ele era um homem solitário, sem ninguém, que não recebia visitas. E continuou:
- Visita? Quem visita o senhor?
E os olhos do Zé brilharam quando ele respondeu:
- Ah! Ele vem. Fica aqui, sorri e me diz: oi José, eu sou Jesus, vim visitar você!
 
Domínio Popular – Interpretação livre
 
Marcelo (um pouco de fé não faz mal a ninguém)

Um comentário:

Márcio Silva disse...

Muito bonito!