20 de mai. de 2012

LITERATURA























Clarice


de tão imprevista e inconstante
clarice é assim uma espécie
de noturno e bissexto cometa
que só raramente aparece
seu destino é vagar errante
explorando a solidão dos planetas
e a dor das galáxias distantes
onde assombra as noites escuras
com seu facho de fogo brilhante

de tão regular e itinerante
com clarice às vêzes acontece
de perder a certeza do chão
e querer em meu colo repousar
meu obediente colo de cão
mas é só por um breve instante
assim como chega sem avisar
de novo ela logo desaparece
num vôo luminoso e inquietante

de tão bipolar e mutante
calrice não consegue suportar
padrões, processos ou rotinas
nem pertencer a um só lugar
sua maldição é vagar constante
condenada a seguir e nunca ficar
somente dos partos das estrelas
e das fomes dos buracos negros
seus olhos sabem se alimentar

akira yamasaki

18 de mai. de 2012


VALE LEMBRAR
IAN CURTIS
 
 




No dia 18/05/1980, Ian Curtis, poeta e vocalista da banda Joy Division cometeu suicídio por enforcamento. Ele tinha apenas 23 anos e deixou um legado de enorme importância para a história da música. Problemático, Curtis demonstrou ao longo de sua breve carreira muito de sua insatisfação através de suas excelentes composições, que seguem cultuadas mesmo depois de mais de três décadas de sua morte.
 

Marcelo

16 de mai. de 2012


GALERIA DAS ARTES



 
Tarsila do Amaral, Morro da Favela, 1924, óleo sobre tela, 64 x 76 cm, coleção particular.



Marcelo

CARTOONS, CHARGES & AFINS

O cartunista Mr. Fish, autor do desenho abaixo, afir­mou em entre­vista sua intenção de provocar as pessoas que votaram pelo banimento do casamento gay no estado ame­ri­cano da Carolina do Norte, além que querer evidenciar a hipocrisia dos que utilizam a Bíblia para justificar atitudes preconceituosas. O dese­nho é cla­ra­mente pro­vo­ca­tivo e mos­tra Jesus Cristo em um rela­ci­o­na­mento com o ex-líder do Queen, Freddie Mercury.





Tradução: "Cansado de assistir a humanidade ignorar a sua mensagem simples de amor e tolerância e aceitação, Jesus decide que seu casamento com Freddie é tudo com que Ele se importa agora e que nunca retornará para a Terra porque as pessoas são estúpidas demais para entender qualquer coisa que Ele venha a dizer a elas."


Marcelo (sempre a favor de que a arte suscite qualquer tipo de discussão, porém contrário a qualquer tipo de exagero) 
+1 VIDEO
RONNIE JAMES DIO (10/07/1942 - 16/05/2010) - RAINBOW IN THE DARK






Marcelo

15 de mai. de 2012


ARQUIVO X

  


  

Bruce Dickinson (Iron Maiden) e Herbert Vianna (Paralamas do Sucesso) fotografados em janeiro de 2001, antes da participação dos ingleses no Rock In Rio III. Segundo relatos, os músicos pilotaram o mesmo ultraleve que dias depois vitimou Herbert e sua esposa em Mangaratiba – RJ.
 

Marcelo

5 de mai. de 2012

NOTA





Faleceu ontem, 04/05, aos 47 anos o músico Adam Yauch, membro fundador do grupo Beastie Boys, vítima de um câncer em uma glândula salivar. Mesmo não sendo um seguidor da carreira dos caras, difícil negar a importância do trio. Fica aqui uma simples homenagem.




Marcelo

4 de mai. de 2012



FORA DE ORDEM

MOVING PICTURES  -  RUSH
                                                        

 
             






Quando a história do artista ao qual vou me referir é muito longa eu prefiro não entrar muito em detalhes. É o caso desse disco que vou sugerir aqui nesta postagem. O disco é o Moving Pictures e o grupo chama-se simplesmente, Rush. Mas o resumo torna-se até fácil devido às pouquíssimas alterações que esse trio de Toronto, Canadá, sofreu em seus trinta e poucos anos de carreira, ou seja: Quando iniciou suas atividades, em 1968, os integrantes eram outros. O baixista e vocalista chamava-se Jeff Jones e o Baterista era John Rutsey. O primeiro nem chegou a participar de disco. Saiu cedo e por muitos nem é considerado integrante. O segundo foi substituído logo após o lançamento do primeiro disco e por motivos de saúde, nem iniciou a primeira turnê do trio. Sendo assim, o Rush de fato é Geddy Lee, cantor, tecladista e baixista, Alex Lifeson, Guitarrista e Neil Peart, baterista e letrista, de 1975 até os dias atuais. O trio se destaca pela altissima qualidade de seus músicos. Os três são virtuosos e juntos conseguiram uma sonoridade única dentro do rock, que aliada às suas letras místicas, filosóficas e espaciais, fazem deste, um dos melhores grupos de rock de todos os tempos. Discos bons são vários. Tem os progressivos, tem os mais pesados, os mais conceituais, melodiosos, etc. Todos com qualidade sonora indiscutível, então escolhí um ao acaso. O Moving Pictures é um disco que sintetiza um pouco esses estilos. É pesado, melodioso, meio autoral, tem boas letras e é muito gostoso de ouvir desde que foi lançado em 1981 até hoje. O disco não fica velho. É pra se ouvir de cabo a rabo e ter vontade de repetir. E é apenas o oitavo disco dos vinte de estúdio do trio. Tem ainda os discos ao vivo que tem suma importância pois são todos executados na íntegra apenas por seus integrantes. Não usam backing vocals, convidados ou overdubs; Não usam porque não precisam. O Rush sempre executou suas obras ao vivo respeitando ao máximo a composição original. Já estou me estendendo, sem perceber. Baixem o disco e escutem. De repente quem ouvir me dá razão. Pode comentar.

 

Zé Vicente


http://www.4shared.com/rar/wlDiyiqc/Rush_-_1981_-_Moving_Pictures.html




FORA DE ORDEM

PARTIDEIRO DA PESADA – BEZERRA DA SILVA
























 
Faço aqui, com muito orgulho, a indicação de um disco desse pernambucano chamado José Bezerra da Silva, a quem sempre admirei pela honestidade que o acompanhou em seus trinta anos de carreira, que ficou registrada em quase trinta discos, dos quais alguns se tornaram verdadeiros clássicos do samba de raiz. Bezerra da Silva nasceu em Recife no ano de 1927 e ainda rapaz mudou-se para o Rio de Janeiro, onde sofreu muito pra sobreviver, tendo inclusive morado na rua por muitos anos até encontrar abrigo no Morro do Cantagalo, onde teve os primeiros contatos com o samba, trabalhando como pintor. Participou de blocos de carnaval e como tinha veia artística resolveu tentar ser cantor de samba, apesar de ser nordestino, coisa que na época não combinava. Nos primeiros cinco anos, passou quase despercebido. Gravou seu primeiro disco em 1975. Mas a partir de década de oitenta passaram a prestar mais atenção àquelas músicas que falavam do dia a dia dos morros, da malandragem, das drogas entre outras coisas peculiares à vida das favelas cariocas, ditas de uma maneira natural e direta que podia ser entendida por qualquer pessoa que as ouvisse. Bezerra passou a receber composições de anônimos que retratavam nada mais que a realidade daquele povo que o rodeava. Sempre prezou muito a lealdade e condenava visceralmente a chamada caguetagem, que rola muito onde se cruzam polícia e bandido, tendo mencionado esse tema em várias músicas. Bezerra nunca privilegiou um ou outro, coisa que o tornou muito respeitado por ambos os lados não só no Rio de Janeiro como em todo Brasil. O disco que indico Chama-se Partideiro da Pesada e foi lançado em 1991, sendo seu décimo sétimo trabalho em vinil, na época.
Esse disco é recheado de clássicos e mesmo quem não gosta desse tipo de samba, chamado popular, acaba se interessando já na primeira música. É samba muito honesto e por incrível que pareça, de boa qualidade. Eu, que também escuto e gosto do samba mais bem elaborado, tive que me render à simplicidade e carisma desse sambista único que infelizmente nos deixou no ano de 2005 aos setenta e sete anos de idade. Fica hoje pro Bezerra, as homenagens de vários artistas brasileiros que regravam seus trabalhos e um grande acervo de discos para serem explorados pelas gerações futuras que se interessem pela crônica da realidade do nosso país. Tem um link abaixo. Baixe, ouça e opine, se quiser.


Zé Vicente


http://www.4shared.com/rar/c-x3t3t0/Bezerra_da_Silva_-_1991_-_Part.html





LITERATURA














  
 sinais de um tempo tosco


a memória
agora privada da excelência estudantil
desfaz-se e não cessa
de encher-se
na fumaça insistente desse
cigarro multinacional
na tela mentirosa
do canal bobo
nas passadas urgentes
dentro dos labirintos
da cidade demente
vê pai imposto
babá
de um filho morto
no ocaso de um dia andante
o assassino certo
é negado pelo legista comprado
nas brechas da lei
antes do galo na madrugada
estou fervendo
meus miolos no  caldeirão
do domingão farto de faltas
os materiais da vida tronco
não doados
a ampulheta da sobrevida negada
minhas gestações desumbilicadas
zumbizam o dia por ai
acompanhando a malta
cães de guarda da tolice
nem sabem
que a babaquice
rodeia a barca da esperança
minha carona chega
sebo nas canelas

Wilson de Souza
 

2 de mai. de 2012


OPINIÃO


Fatos curiosos e contraditórios acontecem, e às vezes passam despercebidos. Vou dar exemplo de um que tá passando batido. Não por mim.
“Bob Dylan se apresenta no Brasil”. Normal. Normal pra quem o acompanha desde o começo dos anos sessenta e conhece a maioria de seus discos que não são poucos. Mas pra chamada “galerinha” que acha muito legal ser fã desse cantor, isso é o máximo. Não importa que ele vá fazer 71 anos nesse mês. Tem fã novo disposto a pagar qualquer preço pra não perder o show dessa lenda viva e depois não correr o risco ser alvo de discriminação dos colegas por ter ficado de fora desse acontecimento ímpar.







“Buddy Guy irá se apresentar em terras tupiniquins”. Absolutamente normal. Já passaram por nosso país uma incontável quantidade de artistas ligados ao blues desde muitas décadas atrás e na platéia se encontravam habitualmente, admiradores desse estilo musical quase centenário. Mas Buddy Guy não é normal. Esse guitarrista e cantor de 76 anos é imperdível mesmo que não se conheça um disco inteiro dos mais de trinta que ele gravou. O que interessa é que ser “blueseiro” e fã desse velho negro americano é um dos baratos do momento. A molecada vai se misturar aos velhinhos curtidores de blues que querem conhecer esse artista pessoalmente depois de ter ouvido seu longo trabalho disco a disco desde o início dos anos sessenta e depois vai contar pra todo mundo.







E se o Neil Young, esse cara de 67 anos, vier se apresentar aqui esse ano? Na certa haverá um colapso. Afinal, trata-se de um ídolo que  já extrapolou o status de lenda. O que será que vem depois de “lenda”? Tem que se pensar numa denominação mais nova. Lenda já é palavra em desuso. O fã de plantão não pode nem pensar em perder um show desses.
Na realidade, o que acontece de fato, é que faltam ídolos novos e vivos que se apresentem em nosso país e que atraiam a essa juventude carente, e também a esses velhos chamados dinossauros que curtem o country, o rock e o blues para que esses dêem descanso aos Bob Dylans, Buddy Guys e Neil Youngs  e coloquem gente nova na condição de ídolos de verdade, não fabricados.








Aí chegamos à questão fundamental desse texto. Uma grande parte desses jovens, fãs “incondicionais” dessas lendas, não se sentem à vontade quando tem que ficar lado a lado com os velhos enrugados, carecas ou grisalhos, verdadeiros apreciadores desse tipo de artista, e como se não bastasse, ainda acham divertido ridicularizar esses verdadeiros fãs, pessoas que ajudaram muito na manutenção do sucesso desses ídolos, dando sustentação para que eles se mantivessem na ativa até os dias de hoje e dessem a chance de serem conhecidos e apreciados por essa mesma juventude que se acha esperta e que muitas vezes contraria a proposta daqueles a quem se declaram fãs incondicionais e em atitudes contraditórias se tornam discriminadores e racistas, e o que é pior, O fazem sem perceber. Isso me preocupa e me deixa triste e decepcionado. Bom show pra vocês, rapaziada.




(É claro que você não está incluído nesse contexto)


Zé Vicente 02.05.2012