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16 de ago. de 2013


FORA DE ORDEM



ESTILHAÇOS - INOCENTES







Muitos admiradores do rock, não muito fãs do punk rock deixaram de ouvir o grupo Inocentes, até por certo preconceito. Resultado: perderam. Essa mania da mídia rotular tudo de acordo com seus interesses acabou prejudicando muita gente, principalmente aqui no Brasil e foi o caso dessa banda tida por muitos e por muito tempo como punk, apenas isso, mais uma banda de punk brasileiro. Pura mentira. E só ouvir Estilhaços pra se descobrir de cara que esse grupo é na realidade um dos melhores do país e que sua música vai muito além do punk. O Inocentes, neste disco de 1991, traz rock puro e de muito boa qualidade, tanto na parte instrumental, muito bem cuidada quanto em suas composições, que tratam de temas atuais, interessantes e oportunos. Não são letras banais nem apologias de nenhuma espécie. Simplesmente, bom rock. E aqui está a oportunidade de se provar essa injustiça e resgatar o trabalho de Clemente e sua banda, ainda em tempo de se mostrar o real valor desse grupo no cenário musical brasileiro.
Se você ouvir  e concordar, manifeste-se fazendo um comentário aqui no blog.


Zé Vicente

15 de ago. de 2013


FORA DE ORDEM


CHRIS REA PRESENTS THE RETURN OF THE FABULOUS HOFNER BLUENOTES – CD 1 e 2 E THE DELMONTS







Parece brincadeira, mas é coisa muito séria. O guitarrista, cantor e compositor Chris Rea, nos apresenta este disco com essa banda de nome comprido e complicado, como se fosse diversão ou um grupo fictício dos anos 50, quando na verdade é uma reunião de músicos de altíssima categoria nos brindando com o blues de primeira linha em dois cds e num bônus com o título The Delmonts, recheado de instrumentais de guitarras que nos deliciam com blues, rock e country numa mistura muito bem feita por esse grande artista. Além de Chris Rea, integram essa banda, Colin Hodgkinson, Neal Drinkwater, Robert Ahway e Martin Ditcham. O ano de lançamento é 2008 e este é um trabalho altamente recomendável. A música tocada nestes três discos são de rara beleza e vem nos mostrar que ainda não ouvimos o blues em todas as formas como pode ser executado. Vale muito a pena conferir.


Zé Vicente


14 de ago. de 2013


FORA DE ORDEM



MIRANDO A ESTRELA – ETA CARINAE










Se você procura musica de boa qualidade vinda do nordeste nesse tempo de tanta coisa ruim entrando pelo nosso ouvido, vai encontrar neste disco do grupo pernambucano Eta Carinae. Eu não comento nem destaco músicas em separado nos discos que apresento neste blog. Penso que cada leitor e ouvinte tem suas preferências, cada um com uma particularidade que é peculiar em que gosta de ouvir. Quando coloco uma sugestão é porque acho que o trabalho é bom como um todo, não levo em consideração coisas tipo “carro chefe” ou ”musica de trabalho”. Não trabalhamos pra gravadora nem televisão ou rádio. Tanto eu quanto você, leitor, temos o direito de ouvir o que nos agrada e não o que nos mandam. Este grupo, que não faz parte do movimento Mangue Beat foi idealizado pelo produtor cultural Dirceu Melo, que curiosamente foi um dos fundadores desse movimento. Sua batida é própria, mais urbana e com letras de fácil compreensão.
Mirando a Estrela foi lançado em 2006. Um trabalho legal não pode passar batido, por isso ainda há tempo de conferir e colocar aqui sua opinião.


Zé Vicente

13 de ago. de 2013



FORA DE ORDEM



LIQUID TENSION EXPERIMENT 2








A intenção aqui é apresentar discos que mereçam ser ouvidos de ponta a ponta numa só audição e este é um belo exemplar. O Liquid Tension Experiment é um projeto paralelo do guitarrista John Petrucci e do baterista Mike Portnoy, então integrantes do grupo Dream Theater,  junto com o tecladista Jordan Rudess, que depois passaria a integrar também essa excelente banda, e o baixista Tony Levin, que definitivamente, dispensa apresentações. Este é o segundo CD, lançado em 1999. O primeiro saiu no ano anterior e também é recomendável.
Oito faixas de música instrumental de altíssima qualidade técnica e indiscutível criatividade destes quatro músicos inquietos deixam aqueles que apreciam boa música, felizes e agradecidos pelo privilégio de poderem ouvir esse belo trabalho. Não comento esta ou aquela faixa, o disco é bom em todo o seu conteúdo.
Se alguém achar que é exagero, procure conferir e manifestar sua opinião aqui neste blog. Isto serve como base, e os outros leitores, com certeza agradecerão.



Zé Vicente

12 de ago. de 2013


FORA DE ORDEM


Fora desta Seção por uns tempos estou voltando devagar. Conversando sobre este blog comentei com amigos sobre algumas postagens que ficaram guardadas no blog anterior e que não foram vistas aqui. Me pediram então que eu relembrasse e eu decidi postar cinco sugestões antigas, uma cada dia de hoje até sexta-feira. Depois voltam os comentários inéditos.



O BARULHO DO SOL DO MEIO-DIA – PANTICO ROCHA E MARCUS DIAS






Pantico Rocha, baterista que faz parte do grupo que acompanha o cantor e compositor pernambucano Lenine, juntou-se ao letrista e produtor Marcus Dias para fazerem um trabalho à parte, com composições próprias e nos mostrarem que não são apenas meros músicos de apoio e operários de estúdio. Daí saiu O Barulho do Sol do Meio-dia. Lógico que não tocou no rádio, nem houve grandes shows com grandes platéias. Nada comercial. Nada que agradasse as emissoras de rádio e televisão. Esse é mais um daqueles discos que as pessoas que gostam de boa musica dirão anos depois: “como é que eu não ouvi isso na época em que foi lançado?” Pois é, este é de 2007 e lá se vão seis anos. Pantico, alem da bateria, canta, com participação de Lenine, Pedro Luis, Silvério Pessoa e outros, Junior Tostói produziu o disco e toca guitarra e violão, Guila toca baixo, entre outros músicos convidados. Eu ouvi e gostei e estou apresentando pra vocês. Quem quiser matar a curiosidade e conferir, pode deixar aquí sua opinião para outros leitores deste blog.



Zé Vicente


17 de abr. de 2013



FORA DE ORDEM



THE POWER AND THE GLORY  -  GENTLE GIANT




























O Gentle Giant foi uma das melhores bandas de rock progressivo de todos os tempos. O grupo atuou apenas entre 1970 e 1980. Nunca conseguiu  o mesmo reconhecimento de bandas contemporâneas mas alcançou prestígio de crítica e de público, sendo o suficiente para somar um grande número  de fãs espalhados pelo mundo. Formado pelos três irmãos Shulman (Phil, Derek e Ray), todos ex-integrantes da banda britânica psicodélica Simon Dupree and The Big Sound (1966), no começo tocaram apenas dentro da Inglaterra, sendo bem recebidos pelas rádio e pela televisão. Era final dos anos sessenta. Lançaram um álbum e colocaram um compacto no top 5 da parada britânica, mas sem impressionar a cena musical da época. Depois que os Shulman terminaram a Simon Dupree, lançaram seus olhares sobre o crescente fascínio do meio musical por uma música mais criativa, inteligente e complexa que viria a ser chamada de rock progressivo, mas os músicos do Gentle Giant denominaram o som do grupo de Baroque and roll. Uma mistura de rock com música clássica do estilo barroco. A primeira formação em 1970 era composta dos irmãos Shulman, mais Martin Smith, Kerry Minnear e Gary Green. O novo grupo começou a fazer um som mais arrojado, desafiante e distinto de tudo o que se conhecia em termos de música. Características marcantes do grupo incluíam vocais múltiplos e sincronizados, pouco comuns na sua época e uma constante variação em suas músicas. A inovação do Gentle Giant colocada no rock progressivo enriqueceu muito esse estilo e ajudou muito para que fosse difundido no mundo inteiro. As influências musicais dos integrantes passavam pelo rock, jazz, música clássica, avant-garde inglesa. O Gentle Giant possuia certas características que o diferenciava dos demais grupos de rock progressivo. Seus álbuns pareciam livros de história, sua música tinha várias mudanças, os compassos eram sempre muito diversificados em uma mesma música, que já tinham harmonias muito bem elaboradas, em resultado da alta erudição de seus músicos que além de multi instrumentistas, eram pesquisadores e utilizavam instrumentos renascentistas e medievais, além de um ou outro criado por algum integrante. E o resultado era sempre complexas estruturas musicais, longas letras com várias citações e referências, chegando a ser até incompreensíveis às vêzes. Desde sua formação, o Gentle Giant sofreu poucas mudanças. O primeiro baterista, Martin Smith, tocou apenas nos dois primeiros discos. No terceiro, o baterista foi Malcolm Mortimore. A partir do quarto disco, e até o fim do grupo, o baterista foi John Weathers. Um dos irmãos, Phil Shulman, multi instrumentista, principalmente em instrumentos de sopro, deixou o grupo depois de quatro discos. Phil, era também o compositor da maioria das músicas ao lado dos outros irmãos Derek e Ray, esses também músicos de vários instrumentos. além de vocalistas. E completavam o grupo, Gary Green, guitarrista principal e outros instrumentos diversos e Kerry Minnear, que atuava principalmente nos teclados mas que também tocava outros quase dez instrumentos de sopro e corda. Nesses dez anos de carreira foram gravados onze discos em estúdio e uma grande quantidade ao vivo. Para apresentar o grupo escolhí o seu sexto disco que foi gravado em 1974 e chama-se The Power And The Glory. Escolhi esse disco aleatóriamente, já que se eu escolhesse o anterior ou posterior não mudaria em nada a altíssima qualidade do trabalho desses grandes músicos. No The Power And The Glory pode se encontrar o rock em diversas manifestações. É disco para fazer daquele que ouvir se tornar mais um fã dessa importante banda que ajudou a enriquecer a história do rock mundial. Ouça e opine, se quiser. Mas principalmente, aproveite.



ZÉ VICENTE










FORA DE ORDEM




1969 (CÉREBRO ELETRÔNICO)  -  GILBERTO GIL



















Difícil falar de Gilberto Passos Gil Moreira, Um dos maiores nomes da música mundial que deve ser motivo de orgulho para todos os brasileiros. Falemos um pouco de Gilberto Gil. Nascido em Salvador, na Bahia, em 26 de junho de 1942, está hoje com 70 anos de idade. Pai médico José Gil Moreira, mãe, dona de casa, Dona Claudina, mudaram-se para o interior do estado, Vitória da Conquista, grande cidade do interior onde Gil passou os primeiros anos de vida. Deste período o artista registra a influência das músicas ouvidas no rádio da época. Com oito anos volta para Salvador, onde estuda no Colégio Maristas. Quando estava no secundário, recebeu da mãe um violão e conheceu o trabalho de João Gilberto, sua grande influência. Nos tempos de faculdade de Administração, Gil conhece Caetano Velososua irmã Bethânia, Gal Costa e Tom Zé. Realizam a primeira apresentação na inauguração do Teatro Vila Velha em junho de 1964. No ano seguinte, já formado e casado Gil mudou-se com sua esposa para São Paulo onde foi trabalhar como empregado na indústria. Mas seu negócio era música e a primeira apresentação de Gilberto Gil em São Paulo ocorreu em 1965 no V Festival da Balança, festival universitário de música promovido pelo Diretório Acadêmico João Mendes Jr. da Faculdade de Direito da Universidade Mackenzie. O Festival organizado pelo estudante de Direito Manoel Poladian, que mais tarde viria se tornar produtor musical, foi gravado pela gravadora RCA, e trata-se da primeira gravação em disco de Gilberto Gil. Dois anos depois, no festival de música da Record, Gil colocou seu nome na música para nunca mais sair, em 1967. com Domingo no Parque, era iniciada uma das carreiras mais produtivas de um músico que hoje é reconhecido no mundo inteiro. Em fins de 1968, Gil foi preso junto com Caetano Veloso pelo regime militar brasileiro instaurado após 1964 devido a supostas atividades subversivas, de que foram taxados. Ambos exilaram-se por ocasião do AI-5 (Ato Institucional 5) do governo militar em vigência no Brasil a partir de 1969 em Londres, Inglaterra. Nos anos 70 Gil fez uma turnês pelos Estados Unidos e gravou um álbum em inglês. Retornou ao Brasil em 1975, quando iniciou um período muito criativo que deu um grande impulso em sua carreira, levando seu trabalho para o sucesso reconhecido. Gil também passou pela experiência de ter sido preso por porte de drogas durante um excursão ao sul do país e ter sido condenado à permanência em manicômio judiciário, uma casa de custódia e tratamento, designada por ele como hospício. Gil foi também o único latino a participar do Festival da Ilha de Wight, em 1970, representando a Tropicália, ao lado dos maiores astros do rock-pop mundial da época, como Jimi Hendrix, Emerson, Lake and Palmer e The Doors e The Who. Ao lado dos colegas Caetano Veloso e Gal Costa, lançou o disco Doces Bárbaros, do grupo batizado com o mesmo nome e idealizado por Maria Bethânia, que era um dos vocais da banda. O disco é considerado uma obra-prima; apesar disto, na época do lançamento (1976) foi duramente criticado. A partir do terceiro festival de musica Gilberto Gil, junto com Caetano Veloso, Tom Zé, Rogério Duprat e Torquato Neto, iniciaram um movimento que se denominou “Tropicalismo” que tinha como preocupação principal os problemas sociais do país, aliada a uma ideologia libertadora, a um inconformismo diante da maneira de viver do povo brasileiro. O  movimento teve aceitação e foi de encontro à Bossa Nova que apenas queria mostrar uma nova concepção musical, calcada na versatilidade da música brasileira. A Tropicália foi um salto a mais na modernização da música popular, buscando formas alternativas de composição e explorando uma concepção artística de mudança radical, dentro de um clima favorável. Foi impressionante sua importância nesse sentido, pois, sendo o último grande movimento realizado no país, deixou marcas que seriam cultivadas com o amadurecimento de seus próprios criadores e daqueles que seguiram sua linha de pensamento. Gilberto Gil, junto com Caetano, líderes do tropicalismo, também estavam entre aqueles que tiveram cerceadas suas carreiras no Brasil, em seu período mais repressivo. Através de músicas de protesto e do próprio tropicalismo, lançaram a semente da conscientização e agitaram a opinião pública, sendo então enquadrados na lei de segurança nacional e expulsos do país. Mas a partir a volta, Gil, que houvera deixado alguns discos antológicos gravados no exterior, inicia um período muito criativo  que se estendeu por décadas e que só perdeu forças quando no final dos anos oitenta ele se envolveu em causas sociais e ingressou na política, o que desagradou muito de seus fâs. Gil foi vereador eleito em Salvador em 1989, e no ano de 2003 aceitou convite para ser Ministro da Cultura. Ficou nesse cargo por mais de cinco anos. Mas aí já é outra história. Voltando à música, Gilberto Gil nesses quase cinquenta anos de carreira, entre discos de estúdio, discos ao vivo e parcerias, gravou 60 discos oficiais. Alguns são verdadeiros clássicos, outros muito criticados. Mas todos com a marca da criatividade e da intelectualidade desse músico genial. Vou indicar aquí um disco do começo de sua carreira. Efetivamente é o seu terceiro disco. E foi gravado em 1969. Chama-se simplesmente Gilberto Gil. Alguns o chamam de “Cérebro Eletrônico” nome de uma de suas faixas, para diferenciar de outro disco com o mesmo nome gravado em 1967. Esse disco que ora indico, tem de tudo. Rock, samba, pop, bossa nova, blues, progressivo, e outros. Tem o maestro Rogério Duprat, tem o guitarrista Lanny, o baterista Wilson das Neves e outros grandes músicos. O disco é recheado de clássicos e embora tenha sido gravado em 1969, continua atual, tanto nas letras quanto nos arranjos. É como um cartão de visitas do que estaria por vir. Então o negócio é ouvir e tirar conclusões. Gilberto Gil continua por aí, firme, na ativa e continua sendo respeitado no mundo inteiro como um de seus maiores artistas.

ZÉ VICENTE





16 de fev. de 2013


FORA DE ORDEM




RORY GALLAGHER    -  AGAINST THE GRAIN


                                                                                  















Vou falar agora de um dos maiores guitarristas e cantores do blues e do rock de todos os tempos. Rory Gallagher. Nascido na Irlanda no dia 2 de março de 1948, começou cedo na música quando formou o grupo Taste em 1965. Gallagher era um menino ainda, mas logo conheceu o sucesso tocando no mesmo palco que Jimi Hendrix, Miles Davis, Emerson, Lake And Palmer e outros na Ilha de Wight, na Inglaterra em 1970. Já no ano seguinte, com o fim do Taste, partiu pra carreira solo e nos brindou com altos discos. Multi instrumentista e dono de uma voz agradável, Rory Gallagher adorava tocar ao vivo e encantava qualquer platéia principalmente quando empunhava sua velha Fender Stratocaster, guitarra que o acompanhou durante toda a vida desde antes do grupo Taste. Ao tocar essa guitarra ele não fazia uso de pedais. Portanto, foda-se a revista rolling stone que o colocou no número 57 dos melhores guitarristas de todos os tempos. Tá de brincadeira essa revista. Quem quiser que acredite nela. Na realidade, Rory Gallagher figura entre os dez sem fazer força pois a guitarra fazia parte do seu corpo. (Pra se ter uma idéia, Jimi Hendrix era seu fã). Mas não estamos aqui para contestar isso ou aquilo e sim para indicar um disco. Por amostragem, vou indicar o quinto de seus dezesseis discos, lançado em 1975, pois poderia ser qualquer outro. Chama-se Against The Grain e nem é dos mais conhecidos, só que tem uma variedade musical que dá uma amostra do que esse cara era capaz. Ele ganhou prêmios, foi eleito músico do ano Pela revista Melody Maker, teve muitos amigos em sua trajetória e sua biografia merece ser vista com mais calma e atenção, assim com sua discografia recheada de clássicos do rock e do blues, com suas influências irlandesas. Penso que quem não conhece esse grande artista, se tornará seu admirador depois de ouvir Against The Grain, por isso deixo um link logo abaixo pra quem quiser conferir. O Rory Gallagher faleceu vinte anos depois desse disco, em 14 de junho de 1995, vítima de infecção hospitalar depois de uma cirurgia. O mundo perdeu um dos mais simples e criativos músicos da rica história do rock. Mas sua música ficou e seu nome com certeza jamais será esquecido.


ZÉ VICENTE


http://www.4shared.com/zip/yij81iRm/1975_-_rory_gallagher_-_agains.html






SÉRGIO SAMPAIO   -   CRUEL















Eis aqui, um dos artistas mais “malditos” da nossa chamada música popular brasileira. Esse cara deveria estar ao lado dos grandes nomes da boa música desse país, mas não se sabe bem porque, a mídia e aqueles que seguem o que ela dita preferiram ignorá-lo. Seu nome, Sérgio Moraes Sampaio, um capixaba que nasceu na mesma cidade que o “rei” Roberto Carlos mas que não teve a mesma sorte em sua curta carreira. Sérgio Sampaio nasceu no dia 13 de abril de 1947 em Cachoeiro de Itapemirim - ES e começou sua carreira no rádio. Mudou-se para o Rio de Janeiro em 1967 para tentar a sorte nessa profissão, mas filho de músico, compositor, já trazia o sangue, a alma de boêmio e o gosto de cantar na noite, por isso não conseguir êxito nessa área, passando assim a se dedicar-se exclusivamente à música. Depois de decepções em festivais diversos pelo sudeste do país, conseguiu colocar uma música na boca do povo, mesmo não vencendo e a partir daí conseguiu acesso a produtores e gravadoras. Dentre esse produtores, um era Raul Seixas, que se tornou amigo e dividiu com ele, mais Miriam Batucada e Edy Star o disco, na época censurado, chamado Sociedade da Grã-Ordem Kavernista Apresenta Sessão da Dez. Isso no início da década de setenta, um pouco antes da música de maior sucesso desse artista ter sido incluída no compacto do IV Festival Internacional da Canção. E é a partir dessa música e do troféu imprensa que ganhou nesse ano (1972) que ele gravou o primeiro de seus três discos solo. Nesse meio tempo, compôs canções para diversos artistas da época. Sérgio não teve uma vida muito tranqüila. Casou e separou, Retornou à sua terra mas não ficou, lutou pelo sucesso, mas não conseguiu o reconhecimento merecido. Mudou-se para a Bahia e fez projetos que não se concretizaram. Adoeceu e faleceu no dia 15 de maio de 1994 no Rio de Janeiro, e só a partir daí começaram a ver o que a música tinha perdido. Recebeu então várias homenagens, entre elas um show em 1996 que teve participação de diversos artistas, alguns amigos, outros que nem o conheceram direito. O show chamou-se Balaio do Sampaio e está registrado em disco. Outra homenagem, mais um resgate, foi feita pelo cantor e compositor Zeca Baleiro, que lançou em 2006 o disco que aqui indico. Cruel é um disco póstumo, mas que traz a essência do que foi esse cara que passou pela nossa música com dignidade e foi excluído quase que sumáriamente. Felizmente, por mim e por mais um tanto de apreciadores de boa música, sua canções não passaram despercebidas e continuam tocando. É rock, é samba, é blues e outros estilos que merecem ser ouvidos com atenção e apreciados ainda em tempo. Aqui faço uma homenagem a Sérgio Sampaio e deixo um link pra quem tiver a curiosidade de conferir.


ZÉ VICENTE


http://www.4shared.com/rar/rA8JB_k1/Srgio_Sampaio_-_Cruel__2006_.html

18 de dez. de 2012




FORA DE ORDEM


HARVEST MOON  -  NEIL YOUNG

























Nascido em Toronto, Canadá, Neil Percival Kenneth Robert Ragland Young, uma da lendas ainda vivas do rock mundial completou 67 anos de idade no dia 12 de novembro passado e a seção Fora de Ordem faz aqui a sua homenagem a esse cantor, compositor, arranjador, multi instrumentista, ativista, ecologista, band leader e um dos mais inquietos e inquietantes artistas de todos os tempos. A história de Neil Young é muito extensa e merece uma atenção à parte. O espaço aqui é curto em virtude de nossa proposta principal que é indicar obras musicais de variados estilos. Neil Young iniciou sua carreira em meados dos anos sessenta e ainda hoje está em plena atividade. Integrou bandas históricas como o Buffalo Springfield e o Crosby Stills Nash & Young, sem contar sua banda de longos anos, o Crazy Horse, que divide os discos de sua carreira. Contando todos os discos solo e as bandas onde atuou, são mais de 50, sendo que o último, chamado Americana, que gravou com a banda Crazy Horse, tem data de 2012. Sempre baseado no rock e no country, Neil alternou discos pesados com guitarras estridentes, baixo e bateria, com outros suaves onde prevalece seu melodioso violão e sua voz inconfundível. Porém, tanto uns como outros sempre primaram pela alta qualidade de seu trabalho. Escolhi para indicar nesta seção o disco Harvest Moon de 1992. São dois os motivos. Primeiro porquê é um dos melhores discos  de sua carreira e segundo porque é justamente o seu trigésimo disco solo e que foi lançado a exatos trinta anos. Coincidências interessantes e oportunas. O disco Harvest Moon traz melodias emocionantes, belíssimos arranjos, canções extraordinárias e deve ser ouvido com calma e em seqüência. Não é acústico mas traz a suavidade que esse artista sabe muito bem aplicar em seus trabalhos quando resolve colocar o coração em suas canções bem elaboradas. Pra quem já é admirador desse artista não é necessário falar mais nada e pra quem ainda não é, o link abaixo vai dar a oportunidade do novo ouvinte se tornar mais um fã desse personagem ímpar da história da música em todos os tempos. É bom conferir e é bom pesquisar. Tem muita coisa boa por aí. Aproveitem.


ZÉ VICENTE


http://www.filestube.com/6K1JHb1lq6m9bh7EiOEuTB/Neil-Young-Harvest-Moon-1992-EOS-WME.html






FORA DE ORDEM


EDNARDO – EDNARDO
















O cantor e compositor cearense Ednardo teve seu nome muito divulgado quando foi colocada uma música de sua autoria em uma novela de muito sucesso da Rede Globo. A novela era Saramandaia e a música, Pavão Mysteriozo. Isso aconteceu no ano de 1976. Mas Esse artista vai muito além disso. Um dos principais nomes da música cearense que despontou no começo dos anos setenta junto com Raimundo Fagner, Belchior, Amelinha e mais alguns, Ednardo tem um trabalho relativamente extenso nesses 40 anos de carreira. Gravou 14 discos, fez trilhas sonoras para diversos filmes e peças, inclusive atuando em alguns deles e teve participação em diversos trabalhos de outros artistas desde 1973 até hoje. A música Pavão Mysteriozo projetou o nome de Ednardo pelo mundo afora. Ela teve por volta de vinte regravações e foi cantada em outros idiomas também. Entre 1974 e 1978 houve um sucesso relativo para um compositor nordestino alternativo. Mas em 1979 ele lançou um disco fundamental e histórico. Com o título simples de Ednardo, esse disco é uma obra prima da música brasileira e precisa ser divulgado mesmo trinta e tantos anos depois. O próprio Ednardo cuidou dos arranjos e direção desse disco, escolheu um time de músicos espetacular na época. Só pra citar alguns, tocaram nesse disco, Dominguinhos, Petrúcio Maia, Manassés, Robertinho do Recife, Tuti Moreno, Elber Bedak e muitos outros músicos de ponta na ocasião de sua gravação. E o disco traz doze músicas escolhidas a dedo. A maioria é do próprio Ednardo, mas também tem parcerias com Dominguinhos, Vicente Lopes, Climério, entre outros. Foi um disco bem executado e teve mais de uma música tocada pelas rádios do Brasil. Mas como muitos ainda não conhecem, indico esse disco e dou um link para que se comprove o que foi dito aqui. Lançado originalmente em formato LP, pode também ser encontrado hoje em CD. Deve ser ouvido de cabo a rabo sem interrupção e guardado em lugar especial na prateleira, pois trata-se de um dos melhores discos de música brasileira, independente de seu estilo. Confira e comente se quiser.


ZÉ VICENTE


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23 de out. de 2012

FORA DE ORDEM


TUTU – MILES DAVIS














Eu tinha que indicar um disco desse cara aqui na Seção Fora de Ordem e passei um certo tempo criando coragem. Falar de Miles Davis não é tão simples nem tão fácil. A história desse músico negro americano de altíssimo nível é imensa e fascinante. Não caberia quase nada nesse espaço que respeito para comentar discos. Assim sendo, aconselho a quem tiver tempo e interesse, que procure a história da carreira desse trumpetista revolucionário e a devore com calma, de preferência ouvindo seus discos. Miles nasceu em Alton, Illinois no dia 26 de maio de 1926. sua família tinha boas condições financeiras e deu subsídio para que ele pudesse estudar música decentemente, ao contrário da maioria dos negros que na falta de recursos quase sempre estudava num velho piano ou ouvindo discos. Participou de várias bandas antes de liderar. Esteve nas bandas de Louis Armstrong e Dizzy Gillespie entre outras e tocou com quase todos os grandes músicos de jazz ente 1944 e 1991 quando faleceu aos 65 anos em setembro daquele ano. Falar da discografia é praticamente impossível. Ela é muito extensa. Só discos gravados ao vivo são por volta de 40. Inúmeras caixas, diversas compilações e uma infinidade de discos de estúdio. Por volta de uma centena. Pra se ter uma idéia, só consultando as enciclopédias espalhadas pela internet. Dentre os diversos estilos de jazz praticados desde a época da segunda guerra mundial, quando se abandonou o tradicionalismo, vou destacar o Bebop, o Jazz Fusion e o Acid Jazz como variações que devem muito a Miles Davis. Não vou indicar disco antigo e sim um bem moderno que mostra o quanto esse músico era eclético. É bom lembrar que Miles nunca foi considerado virtuoso. Ele sempre foi, sim, curioso, experimentador, o que o levou a ser o que é na história do Jazz. O disco que indico chama-se Tutu e foi lançado no ano de 1986. É uma parceria com o compositor e multi-instrumentista Marcus Miller, que já havia trabalhado em outros cinco de seus discos. Miller, conhecido principalmente tocando contrabaixo, juntou seu estilo à curiosidade de Miles e saiu daí o Tutu. Criticado por alguns, aclamado e adorado por outros, esse disco sai do tradicional  e parte para o experimentalismo moderno chegando a beirar o funk com batida secas e ritmadas de baixo e percussão. Vou parar por  aqui. Não quero me estender. Peguem link, ouçam o disco, se acharem que precisa, comparem. A dica está dada. É isso.


ZÉ VICENTE


http://www.filestube.com/8bc048428c464bb603e9,g/Miles-Davis-Tutu.html

 


 


FORA DE ORDEM



A PÁGINA DO RELÂMPAGO ELÉTRICO – BETO GUEDES









Nos anos setenta foi criado um movimento em Belo Horizonte (MG) chamado Clube da Esquina, tendo como um de seus mentores Milton Nascimento. Era a poesia e a música se juntando para dar um novo rumo à música brasileira. Um pessoal que apreciava o rock dos anos sessenta, todos fãs dos Beatles, levou essa influência para misturar com uma outra na época que era o choro dos seresteiros de Minas Gerais, criando assim, um estilo particular e próprio. Além de Milton, Fernando Brant, Toninho Horta, Lô Borges e Flávio Venturini fizeram parte desse Clube. Ainda na época dos esboços desse movimento, um jovem talentoso acompanhava tudo discretamente fazendo suas composições e praticando música nos diversos instrumentos que já dominava. Seu nome, Alberto de Castro Guedes, hoje imensamente conhecido como Beto Guedes. Ele nasceu em Montes Claros em agosto de 1951 e a convite de seu amigo particular Lô Borges entrou com méritos para esse Clube da Esquina. Beto apesar de cantar meio em falsete, já era na época excelente instrumentista e aos vinte anos já tinha uma musica disputando o Festival Internacional da Canção, feita em parceria com Fernando Brant. Daí em diante, não parou mais. Participou de produções e arranjos nos discos dos companheiros, fez um disco em parceria com outros três e finalmente em 1977 lançou seu primeiro disco realmente solo, considerado por muitos até hoje como sua obra prima. E eu apresento então esse disco aqui. O nome é A Página do Relâmpago Elétrico, simplesmente indispensável para quem aprecia a boa música. Muito bem tocado e bem arranjado esse disco deve ser ouvido de ponta a ponta e em algum momento fará o ouvinte se emocionar, tal seu nível de beleza em melodias e letras apuradas. Depois desse, vieram mais dez discos de estúdio, alguns com mais sucesso, porém, nenhum que superasse esse em criatividade e beleza. É mais um daqueles primeiros que a gente não esquece. Pegue o link e confira.


ZÉ VICENTE


http://www.4shared.com/file/54287870/4c68bd0e/1977_-_A_Pgina_do_Relmpago_Eltrico.html



22 de set. de 2012

FORA DE ORDEM


NEW YORK  -  LOU REED






Nascido no Brooklyn, em Nova York, Em 12 de março de 1942, com o nome de Lewis Allan Reed, esse cara tornou-se uma das principais figuras da música mundial de todos os tempos. Trata-se de Lou Reed, cantor, compositor, guitarrista, produtor, fotógrafo e um dos grandes poetas do rock. Sua história é longa e interessante, então pra resumir, vou apenas dizer que Lou Reed está na estrada do rock desde o final dos anos cinqüenta. Foi o vocalista do grupo Velvet Underground, um dos mais importantes grupos dos anos sessenta, que seguia uma linha meio Iggy Pop e David Bowie até 1972, quando iniciou carreira solo, tendo feito mais de trinta discos entre estúdio, ao vivo ou em parcerias com figuras tipo John Cale, Gorillaz, The Killers e Metallica. É fotógrafo, com um acervo imenso guardado e já expôs parte de seu trabalho nessa arte em centros de exposição conceituados no mundo. A fotografia pra ele não é apenas hobby. Músico de primeira, além de excelente guitarrista, toca também piano, teclados e harmônica. Figura conhecida das ruas de Nova York, Lou sempre retratou o dia a dia dessa cidade imensa com crueza e conhecimento em suas letras ácidas e ao mesmo tempo belas, que passava para as melodias em seus vários discos ao longo de sua carreira. Lou é grande admirador de Edgar Allan Poe e James Joyce, e isso, juntamente com a vida dura que levou, com certeza o influenciou no que retrata em sua poesia. Vale a pena pesquisar tanto a biografia quanto a discografia desse grande artista de voz calma, mesmo quando agressivo, grande músico e referência para muitos cantores e grupos a formados a partir dos anos setenta. São vários os discos aclamados e indicados para discografia básica pelas revistas especializadas pelo mundo afora, mas eu vou indicar um disco não muito antigo. Sintomaticamente, tem o nome de New York e foi lançado no ano de 1989. Excelente disco, traz Lou Reed maduro, sereno e muito bem centrado. Como se fosse um livro, é necessário ouvir o disco do começo ao fim para entendê-lo e apreciá-lo plenamente. Em sua carreira solo este é o décimo quinto. E a partir desse ele iniciou uma fase de parcerias interessantes e sua carreira ainda segue até os dias de hoje, apesar de seus 70 anos de idade. Vale a pena conferir. O link está logo abaixo. Se quiser comentar, fique à vontade.

Zé Vicente



http://www.filestube.com/e5apfu8nMIIJ56kUGsDv0c/1989-New-York.html






FORA DE ORDEM



TECA CALAZANS (VIVER)  -  TECA CALAZANS

























E no momento em que a moda no Brasil quando se fala em cantoras é promover algumas bonitinhas que aparecem do nada e logo se tornam top de linha, a gente se sente obrigado a refrescar a cabeça, se não do ouvinte, que não tem muita culpa, mas pelo menos da crítica que agora assumiu de vez que o importante é o ibope. E que, assim como na política, as grandes redes de televisão é que ditam quem é o melhor disso ou daquilo. E o chamado “jabá” abusa de seus poderes em detrimento da evolução musical e da boa arte. E é assim que grandes artistas vão passando despercebidos e acabam sendo mais conhecidos fora de seu país. Uma vergonha. Tenho certeza que a maioria dos leitores não conhece o disco que estou indicando hoje nesta seção. É um disco lançado em 1982 pela cantora Teca Calazans, que na verdade não tem título, mas ficou menos desconhecido com o nome de “Viver” que é o título de uma de suas faixas. O disco foi lançado originalmente em LP. A Teca nasceu em Vitória, Espírito Santo em 20 de outubro de 1940 e ainda criança mudou-se para Recife onde aprendeu a cantar e atuar. Nesta capital, iniciou carreira como atriz em movimentos culturais e foi nessa época que começou um grande interesse pelo folclore musical nordestino que viria a marcar sua carreira desde o início e em uma grande parte de seus discos. Trabalhou no teatro  onde foi parceira de Geraldo Azevedo e Naná Vasconcelos. Em 1968 mudou-se para o Rio de Janeiro e foi trabalhar no Teatro Opinião, também como atriz. Mas nesse tempo já havia gravado um compacto simples, dando início, assim, a sua carreira como cantora. Mas a coisa só vingou quando ela foi morar na França em 1970, quando formou com Ricardo Villas a dupla Teca e Ricardo, que depois de se apresentar no Olympia com a participação de Baden Powell, tornou-se conhecida e fez um certo sucesso. A dupla gravou cinco LPs e durou dez anos. A partir de 1980 Teca Calazans inicia sua carreira solo de cantora, e compositora, tendo inclusive musicas suas gravadas por Milton Nascimento, Gal Costa e Nara Leão assim como  também intensificou suas pesquisas com a cultura musical do nordeste onde estudou os cantadores e poetas e a rica cultura popular daquela região brasileira. Essas pesquisas marcaram todo o futuro musical dessa grande artista brasileira que teve que voltar para a Europa para ter seu trabalho realmente reconhecido, ironicamente levando a história da cultura popular brasileira e o nome de compositores como Villa-Lobos, Pixinguinha e Baden Powell para fora de seu país. Foram vários trabalhos premiados e muitos shows pela Europa. E o sucesso merecido, porém muito pouco divulgado no Brasil do pagode, do sertanejo brega e do axé. Para o mundo, Teca Calazans felizmente existe e eu estou dando a dica para aqueles que tem interesse em boa música, que procurem mais sobre mais um artista brasileiro que não pode passar esquecido pela história da nossa cultura. Então o disco indicado aqui é esse de 1982 que deve ser ouvido de ponta a ponta e que tenho certeza será uma surpresa aos desavisados. Para ouvir é só pegar o link abaixo e conferir. Se quiser opinar, melhor ainda. É isso.


Zé Vicente




http://www.mediafire.com/?9twqzvizv6r5ioi