25 de fev. de 2016

UM POUCO MAIS DE MÚSICA
30 ANOS DE CLÁSSICOS DO ROCK NACIONAL
 
 
Os Titãs, responsáveis por "Cabeça Dinossauro", considerado um dos dez maiores álbuns já lançados
 
Hoje em dia, com a crescente diluição da música em mídias alternativas e em redes sociais, é quase inimaginável o lançamento em um único ano de uma grande quantidade de discos importantes em qualquer tipo de movimento musical. Contudo, em 1986, ano fundamental para o rock brasileiro, várias bandas lançaram trabalhos de altíssima relevância que se tornariam clássicos dentro do agitado e criativo cenário daquele período.
 
 
Capital Inicial - Capital Inicial

Humberto Gessinger, Carlos Maltz e Marcelo Pitz, os gaúchos do Engenheiros do Hawaii

Clemente, o primeiro punk a assinar com uma grande gravadora

Camisa de Vênus - Correndo o Risco

Capital Inicial - mais uma "banda de Brasília" a conquistar o grande público

Inocentes - Pânico em S.P.

Em 1986, o Camisa de Vênus já lançava o seu terceiro trabalho

Engenheiros do Hawaii - Longe Demais das Capitais

Lobão, veterano da explosão do rock nacional da década de 80, continuava a causar boas polêmicas

 
Ainda sob o efeito do “boom” ocorrido há poucos anos, algumas bandas estrearam oficialmente suas carreiras lançando seus primeiros discos, caso do Capital Inicial e seu trabalho homônimo premiado com disco de platina que trouxe um repertório essencial para a banda até os dias atuais. Os Engenheiros do Hawaii, banda gaúcha que não se deteve frente ao eixo Rio-São Paulo-Brasília apresentou “Longe Demais das Capitais”, emplacando nacionalmente o hit “Toda Forma de Poder”. Os Inocentes foram a primeira banda punk a conseguir um contrato com uma grande gravadora e a Warner publicou o importante EP “Pânico em SP”. Outro grupo relacionado ao movimento punk, o Camisa de Vênus, seguia trilhando seu caminho iniciado em 1983 e com “Correndo o Risco” nos brindou com canções como “Sinca Chambord” e “Só o Fim”. O veterano Lobão vinha com o seu segundo disco solo “O Rock Errou”, onde destacaram-se as faixas “O Rock Errou”, “Canos Silenciosos” e “Revanche”, sem deixar de chamar a atenção pela capa do LP e ainda por sua prisão por porte de drogas, fato bastante divulgado pela mídia.
 
 
Branco Mello, Arnaldo Antunes e a irmã de Lobão pedem liberdade para o músico, preso por porte de entorpecentes
 
Lobão - O Rock Errou
 

Ira! - Vivento e Não Aprendendo

Legião Urbana atinge marca histórica de vendas em 86

RPM - Radio Pirata Ao Vivo

Os Paralamas lançam "Selvagem?" com discurso politizado em sintonia com a conjuntura do País

Titãs - Cabeça Dinossauro

O Ira! alcança o sucesso com ajuda de novela

RPM - um fenômeno inigualável


Legião Urbana - Dois

Paralamas do Sucesso - Selvagem?

 
Os paulistanos do Ira! lançaram o premiado “Vivendo e Não Aprendendo”, maior sucesso comercial da banda até 2004, alavancado pela faixa “Flores em Você”, tema de abertura da novela global “O Outro”. Com mais de 1,5 milhões de cópias vendidas de seu segundo trabalho intitulado “Dois”, a Legião Urbana se firmava como uma das maiores bandas do país alcançando um sucesso de público e de crítica poucas vezes visto no Brasil. Já o RPM ultrapassou todas as marcas possíveis e imagináveis com o multiplatinado “Rádio Pirata Ao Vivo”, tornando-se o maior fenômeno musical do país, literalmente enlouquecendo milhares de fãs. Com as carreiras já mais adiantadas, os Paralamas do Sucesso apresentaram “Selvagem?”, terceiro trabalho aclamado pela crítica que trazia as faixas “Alagados” e “A Novidade”, grandes sucessos comerciais. Também em seu terceiro disco, os Titãs lançaram o irretocável “Cabeça Dinossauro”, que viria a figurar entre os dez discos mais importantes já lançados no Brasil segundo a crítica especializada.
 
 
Barão Vermelho - Declare Guerra

Varsóvia - Varsóvia

Golpe de Estado, hard rock com qualidade

O Fellini apresentava um rock com pitadas de pós-punk e MPB

Smack - Smack

Mercenárias - Cadê das Armas?

O veterano Kid Vinil lança um único disco ao lado dos Heróis do Brasil

Muzak - Muzak

 
Mais à frente na carreira, o Barão Vermelho produziu seu quarto disco, “Declare Guerra”, pouco trabalhado pela gravadora e o primeiro sem Cazuza à frente dos vocais, fatos que contribuíram para um baixo sucesso comercial, contudo, importante por ser o primeiro com Frejat nos vocais, iniciando assim uma fase de grande sucesso que estaria por vir. No underground, nomes relevantes se destacaram: com seus discos homônimos estrearam Varsóvia, Kid Vinil & os Heróis do Brasil, Golpe de Estado e Muzak, além das Mercenárias com “Cadê as Armas?”, Smack, mais um conjunto paralelo do guitarrista Edgard Scandurra, com “Noite e Dia” e ainda a banda Fellini, que lançou seu segundo disco intitulado “Fellini Só Vive 2 Vezes”. Como dito no início, inimaginável atualmente um ano de tamanha relevância para a música no Brasil e curioso pensar que aquele ano, já distante três décadas, tratou-se apenas de mais um capítulo daquilo que já vinha acontecendo de positivo no rock tupiniquim.

 

 
Sem Cazuza, o Barão Vermelho dá o primeiro passo rumo à era Frejat

Varsóvia, forte influência do Joy Division

Golpe de Estado - Golpe de Estado

Fellini - Fellini Só Vive 2 Vezes

Smack, projeto paralelo ao Ira! do guitarrista Edgard Scandurra

As Mercenárias, mais um projeto de Scandurra

Kid Vinil & Os Heróis do Brasil

A banda Muzak, que surgiu no cenário lançando o Mini-LP homônimo


 

Marcelo

16 de fev. de 2016


CINEMA & VIDEO

OS 50 ANOS DA SÉRIE “BATMAN”

 

 


 
Este ano a série “Batman” exibida entre 1966 e 1968 completa 50 anos. Diferentemente do que acontece nos dias atuais, quando seriados e filmes de super-heróis são hipervalorizados, naquela época as figuras oriundas dos quadrinhos eram seguidas por um número restrito de fãs. A própria ABC Network, responsável pela produção das aventuras do homem-morcego para a televisão, a princípio havia demonstrado interesse em produzir uma série para o Superman, mas os direitos do personagem já haviam sido adquiridos por um musical. Com um forte tom humorístico, é considerada por muitos como uma sátira ao personagem, inclusive pela forma física apresentada pelo protagonista Adam West.
 
 





 
Inicialmente criticada pelos fãs pela falta de seriedade, na realidade a série trazia referências à política da época, inclusive à participação dos EUA na guerra do Vietnã. O jornal Pravda, da extinta União Soviética acusou o seriado de fazer uma lavagem cerebral no público norte-americano, a fim de torná-los melhores assassinos na guerra contra os vietnamitas. Exibidas no horário nobre, com o passar do tempo, as aventuras do milionário Bruce Wayne se firmaram, arrebanhando um número cada vez maior de fãs, dando início ao que foi chamado de “batmania”. Batman rendeu cerca de 75 milhões de dólares em marketing e produtos para crianças e adultos, uma verdadeira fortuna para 1966. Uma curiosidade: Robin (vivido pelo ator Burt Ward) diz mais de 360 vezes “santa – alguma coisa” durante a série, algo que se tornou sua marca registrada.
 
 


Os vilões da série: Mulher-Gato, Charada, Pinguim e Coringa




 
Marcelo

4 de fev. de 2016

DESTAQUE SOBRE RODAS
LINCOLN FUTURA / BATMÓVEL – 50 ANOS
 
 
 
O Lincoln Futura foi um carro conceito projetado em 1954 pela Lincoln Motor Company, divisão de carros de luxo da Ford. Foi construído inteiramente à mão em Turim, na Itália, pela empresa Carrozzeria Ghia SpA, especializada em fabricar carrocerias especiais. O custo total foi de 250 mil dólares (algo em torno de 2 milhões nos dias atuais). O Futura obteve grande sucesso como carro de exposição e gerou enorme publicidade positiva para a Ford. Participou desde feiras automotivas a programas de auditório, chegando, inclusive, a participar de um filme em 1959. Com o fim de seus dias de glória, o carro foi esquecido até 1965, ano em que foi vendido pela quantia inacreditável de 1 dólar para o customizador de veículos George Barris.
 


O belo painel do Futura









 
 
Foi George Barris o encarregado de construir o veículo temático para a série de televisão “Batman”, que estreou em 1966 pelo canal ABC Network. Com o prazo curto de 15 dias e o valor de 15 mil dólares para criar um carro, o designer decidiu utilizar o Futura e suas linhas incomuns como base para o projeto. Nascia ali o primeiro e cultuado “Batmóvel”.  O carro adorado pelos fãs do homem-morcego foi vendido em leilão em 2013 por mais de 4 milhões de dólares. O próprio George Barris, com 87 anos e ainda dono do veículo, participou do evento. Fora o “Batmóvel” original, mais três réplicas foram utilizadas pela ABC enquanto o seriado esteve no ar. Em 2016, a série completa 50 anos.
 
 
O Lincoln sendo transformado no primeiro "Batmóvel"



O visual interno do carro do homem-morcego



Comemorações durante o leilão do "Batmóvel" em 2013

 
 
Marcelo

3 de fev. de 2016

AGRADECIMENTO


O Papo de Esquina ultrapassou a marca dos 90 mil acessos!
Obrigado a todos que nos visitam. Vocês são sempre muito bem-vindos!






Papo de Esquina
LENDAS, MITOS & AFINS
O GUERREIRO BELEROFONTE
 
 

 
Na mitologia grega, Belerofonte foi um guerreiro e herói, filho de Poseidon e Eurimedéia, esposa de Glauco. Passou parte de sua juventude em Conrinto, até o momento em que foi obrigado a deixar a cidade após matar acidentalmente um homem chamado Belero (algumas versões da lenda afirmam tratar-se de seu irmão). Após o ocorrido, recebeu a alcunha de Belerofonte, ou “aquele que matou Belero”, sendo desconhecido seu verdadeiro nome. Após deixar Corinto, procurou a proteção do rei Proteu, em Tirinto. A esposa de Proteu, Estenebéia, apaixonou-se pelo guerreiro, contudo, Belerofonte resistiu às suas investidas e ela, irritada por ter sido recusada, acusou-o perante o rei de tentativa de sedução. O rei ficou furioso, mas decidiu não matar seu hóspede temendo ser punido pelos deuses. A solução encontrada por Proteu foi enviar o jovem ao rei Ióbates, seu sogro e soberano da Lícia, juntamente com uma mensagem onde pedia sua morte.
 
 

1921, The fight of Bellerophon with the Amazons, by Alexander Rothaug

 
Ióbates abrigou Belerofonte durante nove dias em seu palácio antes de finalmente ler a mensagem, fato que também o impediu de matá-lo, já que os costumes não permitiam qualquer forma de hostilidade contra um hóspede. Decidiu então enviar o guerreiro em missões perigosas, esperando o seu fim. Inúmeras foram as batalhas vencidas por Belerofonte, sempre montado em seu cavalo alado Pégaso (animal esplendoroso filho de Poseidon surgido da cabeça da Medusa quando ela foi morta por Perseu) que lhe foi presenteado pela deusa Atena. A primeira vitória (e a mais importante) foi contra a Quimera, fera que devastava as terras da Lícia (e que futuramente será abordada aqui no blog). Belerofonte e Pégaso também venceram a sanguinária tribo dos Sólimos e as temidas Amazonas.
 
 
Belerofonte enfrenta a Quimera

Bellerophon riding Pegasus, Giovanni Battista Tiepolo, fresco, 1746/1747, Pallazo Labia, Venice , Italia

 
Após vitórias de tamanha expressão, o rei Ióbates convenceu-se de que Belerofonte deveria ser um semideus e para redimir-se deu a mão de sua filha em casamento. Depois da morte do soberano, Belerofonte se tornaria o rei da Lícia. Após tantos feitos excepcionais, Belerofonte permitiu que o orgulho dominasse seu coração e decidiu voar em seu cavalo até o Monte Olimpo, morada dos deuses. Ofendido com tamanha arrogância, Zeus enviou uma vespa para picar Pégaso, que acabou derrubando o guerreiro em pleno voo. Atena amaciou o chão para que o herói não morresse, porém, Belerofonte ficou aleijado. O outrora bravo guerreiro perdeu tudo e se transformou num mendigo errante e amargurado, que passou o resto dos seus dias à procura de seu cavalo Pégaso, sem saber que ele havia sido transformado por Zeus em uma constelação.
 

 
A constelação de Pegasus
 
 
Marcelo

2 de fev. de 2016



HOMENAGEM




 
 

Nascido em 2 de fevereiro de 1959, Lenine completa hoje 57 anos. Cantor, compositor, arranjador, ator, escritor, produtor musical, engenheiro químico e ecologista, o pernambucano de Recife sem dúvida figura entre os melhores nomes da boa MPB desde o início dos anos 80. Lenine já ganhou cinco Grammys, dois prêmios APCA e nove Prêmios da Música Brasileira, além de ocupar uma cadeira na Academia Pernambucana de Letras. Vida longa a esse talento e que ele possa nos brindar com música de qualidade por muitos outros anos!

 

Marcelo

2 DE FEVEREIRO
SID VICIOUS / CHICO SCIENCE
 
 
 
 
Foi num dia 2 de fevereiro que dois nomes expressivos da música deixaram este plano. Em 1979 morria Sid Vicious, vitimado por uma overdose. Apesar de ser considerado uma das figuras mais representativas do punk rock, Vicious efetivamente não era músico nem compositor, apenas ganhou fama por seu jeito extremo e autodestrutivo. É sabido que por inúmeras vezes seu amplificador era desligado durante as apresentações dos Sex Pistols, sem ele sequer perceber. Contudo, impossível apagá-lo das páginas escritas na história do rock a partir da segunda metade dos anos 70.
 
 

 
Já em 1997, um trágico acidente automobilístico calava a voz de um dos mentores do movimento manguebeat: Chico Science. Apesar de apenas dois trabalhos lançados ao lado da Nação Zumbi, Chico deixou um legado para o Rock/MPB de extrema relevância. Com letras e arranjos geniais soube como poucos misturar tradições populares com o rock, com a música. Chico Science partiu cedo demais, porém, a grandeza de seu trabalho certamente perdurará por longos anos.
 
 

 
 
Marcelo